sexta-feira, 15 de julho de 2016

Por um bate-bola menos agressivo : O que aconteceu com os programas esportivos dos principais canais de TV?


Alguns programas de TV especializados em esporte se tornaram um verdadeiro ringue. Jogadores são metralhados pelos âncoras, e alguns comentaristas deixam a desejar. Não sou especialista em jornalismo esportivo, mas digo que precisamos que surjam mais destes, para que os mesmos venham para frente das câmeras mostrar um jornalismo esportivo menos agressivo. Se antes os jogadores respondiam de forma um tanto quanto ensaiada aos questionamentos dos repórteres ao sair do campo, agora virou um verdadeiro campo de inquisição. 
Afinal, esporte é lazer? Na Europa, embora com alguns problemas provocados por torcidas organizadas, o futebol parece ser muito mais saudável. Alguns ícones de grandes times até tem sua vida pessoal invadida e pagam o preço da fama. Mas percebo uma diferença entre lá e aqui. Os fatos acontecem e não são suposição ou achismo dos jornalistas esportivos e comentaristas.
A agressividade nas palavras de comentaristas acabam se tornando parte do papo do brasileiro, que adora futebol. Ou pelo menos adorava. Após tantos escândalos fica difícil continuar acompanhando. Mas o grande problema é que o futebol em especial deixou de ser um assunto de comentários saudáveis e há muito vem sendo um bate-papo nocivo a quem ouve.
Assistir a um programa esportivo na TV é outro desafio.O linguajar de alguns colegas é uma grande porcaria, esbravejam, acusam, e por pouco tornam os jogadores heróis e vilões. Será que a graça está nisso? Em fazer do esporte um verdadeiro ringue e não apenas uma competição? A cobrança por resultados sempre vai existir. Uns perdem para os outros ganharem. Sempre os jogadores vão buscar ter um destaque no seu time para valorizar seu passe. Mas acredito que não é saudável tanta informação inútil veiculada em programas esportivos. A pessoa que se interessa por futebol ou por qualquer outro que seja o esporte vai querer consumir tudo sobre seu time, mas não dá para engolir um roteiro cheio de agressividade, e assuntos que simplesmente não interessam ao telespectador. Não sou especializado em jornalismo esportivo, nem gosto muito de futebol, mas acho que o texto de programas esportivos de TV deveria ser mais respeitoso. E o futebol independente de seus interesses comerciais, ser tratado mais como lazer e não apenas como uma eterna batalha. 
Também não podemos generalizar. No rádio ainda tem alguns dos grandes locutores que são motivados por paixão. Nos canais esportivos da tv, geralmente a calmaria é maior, ou pelo menos o bate papo é mais especializado. Qual é o grande pecado? O exagero em mostrar demais aquilo que não faz diferença alguma. Provocar o estrelismo dos jogadores e depois querer que eles simplesmente parem de ser estrelas. O que considero uma prática inútil. Alguns novos nomes da nova linguagem abusam do improviso e deixam a espontaneidade de lado. Para aqueles que deixam a sua marca de forma coerente o sucesso logo vem. Jornalista tem que criticar, mas criticar sobre fatos. E o público reconhece quem é espontâneo e quem é forçado. Precisamos de bons comunicadores. Que criticam na hora certa, mas que pautam pela coerência em seu trabalho.